O chafariz do século XIX existente na Estrada de Chelas encontra-se hoje num estado de abandono incompatível com o seu valor histórico, patrimonial e urbano. Trata-se de um verdadeiro equipamento público de infra-estrutura, construído num período em que o abastecimento de água era uma função central da cidade e em que os chafarizes estruturavam o território, a mobilidade e a vida quotidiana.
No século XIX, Chelas situava-se numa zona de transição entre a cidade consolidada e os espaços agrícolas, conventuais e industriais da periferia oriental de Lisboa. Os chafarizes não eram elementos decorativos nem secundários. Eram equipamentos essenciais, ligados a nascentes, aquedutos secundários e sistemas de distribuição de água potável, implantados ao longo das estradas principais, como a Estrada de Chelas, segundo uma lógica funcional clara associada à circulação de pessoas, animais e mercadorias.
Este chafariz é um testemunho material da forma como Lisboa se expandiu para oriente e de como o espaço público era pensado com durabilidade, legibilidade e utilidade social, integrando arquitetura, engenharia hidráulica e uso coletivo. A sua degradação ou eventual perda representa mais um apagamento da memória urbana, particularmente grave numa zona que já sofreu profundas transformações e onde poucos vestígios históricos permanecem visíveis.
A recuperação deste chafariz não é um capricho estético nem um exercício de nostalgia. É um dever de salvaguarda do património histórico, consagrado na legislação portuguesa, e uma oportunidade concreta de requalificação do espaço público. Valorizar este elemento permitiria reforçar a identidade da Estrada de Chelas, devolver dignidade ao lugar e tornar novamente legível uma peça fundamental da história do abastecimento de água e da vida urbana em Lisboa no século XIX.
Solicita-se, por isso, que seja promovida a recuperação e valorização do Chafariz da Estrada de Chelas, incluindo levantamento histórico e técnico, uma intervenção de conservação adequada e a sua integração digna no espaço urbano envolvente. Não recuperar este chafariz é aceitar que a cidade continue a perder, peça a peça, a memória material que explica quem fomos e como Lisboa se construiu. Subscrevem: