Intervenção de Filipe Dias pelo Núcleo de Arroios da Vizinhos em Lisboa que refere a falta de transparência e participação pública da Junta de Freguesia na intervenção no Mercado do Forno do Tijolo, pedindo esclarecimentos sobre rumores em circulação e reclamando contra o encerramento do acesso automóvel e o fecho antecipado do portão às 19h, por comprometerem o acesso de idosos, famílias, polícia e emergências médicas ao Lidl, à piscina e aos restantes negócios do Mercado / Intervenção de Rui Martins da Vizinhos em Lisboa na Assembleia de Freguesia de Arroios que, saudando o sucesso do sistema Volta, propõe à Junta a instalação-piloto de dispositivos de recolha digna de embalagens (tipo Pfandring) junto a papeleiras para aliviar a pressão sobre a via pública, sugerindo diálogo com organizações de apoio a sem-abrigo, e remete ainda para outras propostas da associação aplicáveis a Arroios (ruído, espaço pedonal, arvoredo e iluminação pública).
"- Boa tarde. A minha intervenção é feita em nome dos Núcleo de Arroios da associação Vizinhos em Lisboa.
Quero começar por perguntar ao Executivo que planos tem para Mercado do Forno do Tijolo e criticar a falta de informação prestada aos moradores sobre os seus objectivos da intervenção em curso. No dia 30 de Maio a Junta fez uma sessão participativa para desenhar o parklet da Rua José Estevão. No dia 6 de Julho abriram as pré-inscrições para as “oficinas voluntárias de construção de mobiliário urbano que, de acordo com o anúncio da junta são “um projeto colaborativo que alia aprendizagem, criatividade e participação cívica.” Pergunto: porque é que promovem a participação pública para desenhar mobiliário urbano e não fazem o mesmo para a intervenção no Mercado do Forno do Tijolo?
No fim do mês de Junho, a Junta decidiu, sem consultar as moradores, vedar o acesso ao Mercado por viaturas particulares, inclusivamente para as pessoas que vão ao Lidl. É uma decisão que criticamos, porque este é dos poucos supermercados da Freguesia onde é possível fazer compras de carro, o que é bastante importante para idosos e para famílias que precisam de fazer compras pesadas. Para além disso é o supermercado mais usado pelos agentes da PSP da 4a esquadra, cuja presença frequente ajuda a reduzir o número de problemas de segurança na zona.
Por isso exigimos que sejam criados lugares de estacionamento temporário para quem frequenta o Lidl, a piscina, e outros negócios e serviços instalados no mercado.
Com a entrada em vigor destas restrições, o portão do Mercado do Forno do Tijolo que dá para Rua Andrade e Rua Maria da Fonte passou a encerrar às 19:00. Nós criticamos esta medida porque a partir dessa hora as ambulâncias e os carros de polícia deixam de ter acesso fácil e rápido ao Mercado. Recordamos que no interior existe um piscina, onde podem acontecer acidentes que requerem intervenção médica rápida. E recordamos que dentro do Lidl está um dos sistemas Volta mais concorridos da Freguesia, que é muito usado por sem-abrigo e toxicodependentes que com frequência causam desacatos. A Junta diz que o segurança da Junta e que o staff da piscina têm a chave. Mas num contexto de emergência, o minutos que se gastam a encontrar estas pessoas podem representar a diferença entre a vida e morte de uma pessoa.
Por isso exigimos que o portão esteja aberto todos os dias, incluindo fins de semana e feriados e durante todo período de funcionamento da piscina, do Lidl e de todos os outros negócios e serviços do Mercado.
Voltando à falta de informação prestada à população sobre a intervenção no Mercado do Forno.
Graças à opacidade de todo este processo, surgiram dezenas de rumores sobre os objectivos da Junta para o Mercado do Forno do Tijolo. Vou enumerar os três principais rumores que surgiram e vou pedir que os confirmem ou desmintam;
Rumor nº 1) A Junta quer transformar o Mercado no novo mercado Timeout, instalar lá roulottes e barracas de venda de álcool e passar a usar o espaço para eventos com som amplificado, designadamente concertos. É verdade ou é mentira?
Rumor nº 2) A Junta quer expulsar o café, o talho, a peixaria, a frutaria e a florista e substituí-los por negócios mais trendy como cafés de especialidade, bares de vinhos, cafés de brunch e lojas de artesanato. É verdade ou é mentira?
Rumor nº3) A Junta encerrou ao Mercado ao trânsito porque na realidade quer tentar estrangular financeiramente o Lidl, ficar o espaço a seu cargo e nele implementar um grande projecto em parceria com uma fundação privada? É verdade ou é mentira?"
Rui Martins (Vizinhos em Lisboa)
Assembleia de Freguesia de Arroios - Sessão Extraordinária - 20 de julho de 2026
https://youtu.be/ze9FoRaeXd8?t=2057
"Chamo-me Rui Martins e falo em representação da Vizinhos em Lisboa: Associação de Moradores, presente nas 24 freguesias de Lisboa.
Venho hoje partilhar com esta Assembleia uma reflexão sobre um efeito colateral de uma boa notícia: o sucesso do sistema Volta de depósito e reembolso de embalagens, que já devolveu cerca de 55,5 milhões de embalagens em todo o país entre abril e julho deste ano. É um resultado que saudamos com satisfação, porque mostra que os lisboetas respondem bem a bons incentivos ambientais.
Como este Executivo certamente já tem observado no terreno, este sucesso trouxe também alguma pressão adicional sobre a nossa via pública: um número crescente de pessoas, muitas em situação de vulnerabilidade, procuram diariamente embalagens em contentores e ecopontos, o que por vezes deixa lixo espalhado.
Sabemos que esta é uma situação que exige sensibilidade, e reconhecemos o esforço que a Junta e os serviços de limpeza já fazem para lidar com ela.
Vimos, com espírito construtivo, sugerir uma via que nos parece simples e de baixo custo para aliviar esta pressão: a instalação, a título de projeto-piloto, de pequenos dispositivos de recolha visível de embalagens (do tipo Pfandring) acoplados a papeleiras já existentes, num número reduzido de locais escolhidos com cuidado. A ideia, testada com sucesso na Alemanha e também, num modelo mais elaborado, em Copenhaga, é simples: permitir que quem procura estas embalagens o faça de forma visível e digna, sem necessidade de revolver o lixo, e sem risco de ferimentos.
Em paralelo, dirigimos também à Câmara Municipal uma proposta complementar, para que sejam instalados pontos Volta junto às baterias de ecopontos e Oleões, em articulação com a SDR Portugal, entidade gestora do sistema: reconhecendo que a resposta mais estrutural cabe, em boa parte, à Câmara e à entidade gestora, e que à Junta cabe sobretudo esta resposta mais imediata e localizada.
Gostaríamos de sugerir que esta Junta considere avaliar esta possibilidade, mesmo que a título experimental e num único local para começar. Sugerimos também, se a Junta entender avançar, que o desenho e a localização sejam pensados em diálogo com organizações de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo e, na medida do possível, com as próprias pessoas que hoje fazem esta recolha em Arroios: para que a solução responda bem a quem dela vai precisar, e com atenção também à acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida.
A Vizinhos em Lisboa coloca-se inteiramente ao dispor da Junta de Freguesia de Arroios para colaborar nesta reflexão, ajudar a identificar localizações, ou simplesmente contribuir com o que tivermos disponível: sem qualquer pretensão de impor um modelo, apenas com vontade de ajudar a encontrar uma boa solução para todos.
Ficamos gratos pela atenção desta Assembleia e disponíveis para qualquer esclarecimento adicional.
Gostaríamos também de enumerar brevemente outras propostas que fizemos e que são aplicáveis a Arroios e que se encontram em
Diretamente sobre Arroios:
1. Pedido de verificação de níveis de ruído — Rua do Forno do Tijolo (Arroios)
2. Resultados do 3º Censo de Estabelecimentos de Venda de Bebidas em Arroios
3. LER 2025: Análise do Licenciamento do Espaço e da Rua
4. Saturação Acústica em Lisboa: LER e Ocorrências por Freguesia, 2017–2025
5. Análise de Licenças Especiais de Ruído por Freguesia
Espaço pedonal e mobilidade:
1 .PasseioLivreLx / Relatório de Observação Participativa do Espaço Pedonal
Ambiente e arvoredo:
1. TemperaturasLx: Mapa das Ilhas de Calor de Lisboa
2. Árvores em Lisboa: desigualdade territorial e urgência de um plano municipal
3. Reposição urgente de árvores em caldeiras vazias
Espaço público e iluminação:
1. Lisboa no escuro: falta de iluminação pública em várias freguesias
3. Pedido de remoção de estruturas publicitárias partidárias abandonadas"