Um estudo cidadão realizado em janeiro de 2026 demonstra que a maioria das estações do Metropolitano de Lisboa não tem funcionamento integral de elevadores e escadas rolantes, revelando um problema estrutural de acessibilidade e manutenção que incumpre obrigações legais e compromete o acesso ao transporte público por parte de pessoas com mobilidade reduzida.
Lisboa, fevereiro de 2026 — Um estudo independente e cidadão promovido pelo Fórum Cidadania Lx e pelos Vizinhos em Lisboa revela problemas persistentes e estruturalmente relevantes na acessibilidade da rede do Metropolitano de Lisboa, com base em dados recolhidos diretamente em todas as estações da rede entre 21 e 31 de janeiro de 2026.
A análise incidiu sobre o estado de funcionamento de elevadores e escadas rolantes, a partir de observação direta realizada por voluntários, e demonstra que o funcionamento integral dos equipamentos de acessibilidade não corresponde à situação dominante da rede.
No que respeita aos elevadores, os dados recolhidos indicam que apenas 18 estações apresentavam todos os elevadores em funcionamento no período analisado. Em 17 estações, verificou-se que nem todos os elevadores estavam operacionais. Acresce que 9 estações da rede não dispõem de qualquer elevador, situação que levanta sérias reservas do ponto de vista da acessibilidade universal e do cumprimento das obrigações legais aplicáveis ao transporte público urbano.
Relativamente às escadas rolantes, o cenário é ainda mais crítico. Apenas 15 estações apresentavam todas as escadas rolantes a funcionar. Em 25 estações, nem todas as escadas rolantes estavam operacionais. Verificou-se ainda que 11 estações não dispõem de escadas rolantes, aumentando a dependência exclusiva de escadas fixas ou elevadores, quando existentes e funcionais.
Em conjunto, estes dados evidenciam que a situação de funcionamento integral dos equipamentos de acessibilidade é minoritária na rede do Metropolitano de Lisboa. A norma observada é o funcionamento parcial ou a inexistência de equipamentos essenciais, o que compromete a previsibilidade e a fiabilidade do acesso ao transporte público para pessoas com deficiência, população idosa, passageiros com mobilidade reduzida temporária e famílias com carrinhos de bebé.
O estudo desmonta assim a ideia de que os constrangimentos de acessibilidade são pontuais ou excecionais, apontando antes para um problema estrutural de infraestruturas incompletas e de manutenção insuficiente. Esta realidade é particularmente preocupante numa cidade com envelhecimento demográfico acentuado e com obrigações legais claras em matéria de acessibilidade, nomeadamente ao abrigo do Decreto-Lei n.º 163/2006 e do regime jurídico aplicável ao serviço público de transporte de passageiros.
O Fórum Cidadania Lx e os Vizinhos em Lisboa defendem que estes dados justificam uma intervenção urgente, estruturada e monitorizada, incluindo investimento em infraestruturas, reforço da manutenção preventiva e mecanismos públicos de prestação de contas sobre o estado da acessibilidade por estação.
Este estudo pretende contribuir para um debate público informado, baseado em dados observados, sublinhando que a acessibilidade no transporte público não é uma questão de conforto, mas um requisito legal e um elemento essencial da equidade urbana.
Para mais informações ou acesso ao estudo completo, contactar:
Fórum Cidadania Lx / Vizinhos em Lisboa