Erguido em 1851 na antiga Estrada de Entrecampos e enquadrado desde 1993 por um painel de azulejos da Arquinter, o chafariz apresenta hoje azulejos destacados e caídos, graffiti, sujidade e degradação da cantaria, pelo que a Vizinhos em Lisboa pede à Câmara a recolha dos azulejos, a vedação das zonas em risco, o restauro do painel e a limpeza e manutenção regular do recinto.
Erguido em 1851 na antiga Estrada de Entrecampos e enquadrado desde 1993 por um painel de azulejos da Arquinter, o chafariz apresenta hoje azulejos destacados e caídos, graffiti, sujidade e degradação da cantaria, pelo que a Vizinhos em Lisboa pede à Câmara a recolha dos azulejos, a vedação das zonas em risco, o restauro do painel e a limpeza e manutenção regular do recinto.
O chafariz foi erguido em 1851, por proposta do vereador Frederico Augusto Ferreira. Fazia parte da rede de chafarizes das Águas Livres e recebia água da Galeria de Santana, através de uma conduta que partia de São Sebastião da Pedreira. A água correu pela primeira vez a 29 de junho desse ano, numa bica provisória, na presença de três vereadores. A obra formava uma "meia laranja" com 100 palmos de boca e 50 de fundo.
A arquitetura retoma o modelo do Chafariz do Intendente. É uma caixa de água retangular, com cornija e platibanda. A face principal tem pilastras toscanas duplas e duas bicas em forma de florão, que vertem para um tanque com réguas metálicas onde se apoiavam os barris. No espaldar estão as armas da cidade, a nau que se vê na fotografia, e a inscrição da construção. As alas laterais têm bancos de cantaria, num esquema semelhante ao dos chafarizes da Convalescença e de Benfica.
O chafariz ficava na antiga Estrada de Entrecampos, um caminho anterior às Avenidas Novas. Era muito movimentado pelas carroças que iam e vinham da Calçada de Carriche. O painel de azulejos do muro arqueado foi colocado em 1993, segundo projeto da Arquinter. Representa o Vale de Entre-Campos tal como seria em 1851.
Queixa à CML (enviada a 19.09.2026):
Assunto: Degradação do Chafariz de Entrecampos e destacamento do painel de azulejos, Rua de Entrecampos: pedido de intervenção urgente
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
A Vizinhos em Lisboa – Associação de Moradores, comunica o estado de degradação em que se encontra, à data de hoje (19 de setembro de 2026), o Chafariz de Entrecampos, na Rua de Entrecampos, e o painel de azulejos que o enquadra. Juntamos registo fotográfico.
O chafariz foi construído em 1851 pela própria Câmara Municipal de Lisboa, como atesta a inscrição no espaldar. Integrava a rede de distribuição das Águas Livres. O painel azulejar que reveste o muro arqueado foi aplicado em 1993, segundo projeto da Arquinter, e representa o Vale de Entre-Campos em 1851. Trata-se de património municipal e de um dos poucos testemunhos que restam da antiga Estrada de Entrecampos.
Foram observadas as seguintes situações:
1. Destacamento extenso de azulejos, em várias zonas de ambas as alas. Existe uma lacuna vertical de grande dimensão na ala direita, lacunas na zona inferior junto ao banco e uma perda significativa no remate da ala direita. Nesta última, a figura do cavalo está parcialmente perdida e a argamassa de assentamento está exposta.
2. Azulejos caídos e abandonados, amontoados sobre o banco de cantaria e espalhados pela calçada, muitos partidos. Correm risco de desaparecer definitivamente e constituem perigo para quem utiliza o espaço.
3. Graffiti: uma assinatura a laranja no remate da ala direita e outra a roxo sobre o banco de cantaria. Há também um autocolante colado no painel.
4. Chafariz: tanque seco, com sujidade e lixo, incluindo uma garrafa. As réguas metálicas de apoio estão oxidadas. Há colonização biológica e manchas escuras na cantaria, fissuras nos blocos da cornija e vegetação a crescer na platibanda.
5. Canto junto à porta lateral de acesso à arca de água: acumulação de beatas, lixo e manchas no pavimento e na base das paredes, compatíveis com utilização indevida do local.
6. Pavimento: musgo e sujidade na calçada, incluindo no medalhão com a nau.
Assim, solicitamos:
a) A recolha e guarda imediata, pelos serviços municipais, dos azulejos caídos, para posterior reaplicação;
b) A verificação da aderência dos azulejos ainda aplicados e, se necessário, a sinalização ou vedação provisória das zonas em risco de destacamento;
c) A elaboração de um plano de restauro do painel, com reintegração das lacunas a partir do projeto original de 1993;
d) A remoção dos graffiti e do autocolante, com métodos adequados a azulejo e cantaria;
e) A limpeza do tanque e da cantaria, a remoção da vegetação da platibanda e o tratamento das réguas metálicas;
f) A inclusão do recinto num circuito regular de limpeza e manutenção;
g) A indicação do número de registo desta comunicação e do serviço responsável pelo seu acompanhamento.
Agradecemos uma resposta no prazo legal e ficamos disponível para qualquer esclarecimento.
Com os melhores cumprimentos